Estou de volta parceiros de leitura. Trago um tema debatido muitas vezes, mas que ainda traz um problema, e que quero compartilhar com vocês.
O uso do termo “depressão” já virou moda. Em qualquer conversa ou lugar que envolva observações e comentários sobre o estado emocional de alguém, a palavra “depressão” é dita sem critério. Mas afinal, onde foi parar a velha e famosa tristeza? Será que não sentimos mais tristeza? Ela não existe mais?
Ultimamente, no lugar da palavra “triste” estão usando “deprimido”, Esqueceram, ou nunca ficou claro que entre tristeza e depressão há uma grande diferença.
Outro dia vi na TV uma personagem que havia acabado de brigar com o amor de sua vida e se sentou sozinha em um restaurante. Ao ser questionada sobre seu desânimo e sua cabeça baixa naquele momento, ela respondeu: “Estou deprimida”. Essa foi demais hein! Parece até cena de comédia.
Depressão é um estado de adoecimento. Um transtorno psíquico que atinge o funcionamento do corpo todo. A pessoa perde interesse pela própria vida e pela vida de quem a rodeia. Não investe mais em seus objetivos e constrói um isolamento intenso. Tem dificuldade para falar o por quê de estar assim. Chora sem motivos claros e não consegue achar as causas disso. Nesses casos há uma perda da vontade de sair dessa situação. A pessoa se anula e fica tomada pelo sentimento de invalidez e incapacidade. O vazio e a angústia invadem seu psiquismo. É algo que vem e não diz de onde veio.
Agora, aqui cabem as perguntas: isso, da forma como dita acima é o que muita gente sente por aí quando afirmam estarem deprimidas? Isso é o que a personagem da TV estava passando naquela cena?
Vamos à tristeza então.
Ficamos tristes por perdas, decepções, desacordos, faltas do dia-a-dia. E é extremamente normal que alguém fique triste por essas coisas, por horas, dias e até meses. Pode ocorrer de uma pessoa ficar triste por longo tempo e nem por isso entrar em um quadro de depressão.
Parece que nos esquecemos de sentir a tristeza com todo direito que temos. Não esqueçamos então de que as palavras “triste”, “tristonho” e “entristecido” existem.
Na ética da psicanálise há uma luta pela vida que está por trás dos rótulos e diagnósticos que as pessoas se dão e assumem. Não serão simples comportamentos que farão alguém ser deprimido. Seja na tristeza ou na depressão, se ouvida com calma e com o tempo que merece (em tratamento adequado) a pessoa pode criar condições de buscar saídas para essas coisas que surgem sem dizer como e nem de onde vieram... Coisas tipicamente humanas.
