Espaço destinado ao compartilhamento dos artigos e escritos, que já foram publicados nos Jornais Observador e Folha de Pedro Leopoldo, entre outros espaços de publicação e comunicação. Trago também contribuições a partir de minha experiência clínica, estudos, discussões e formulações com pessoas interessadas no real da vida.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
quarta-feira, 22 de julho de 2015
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Um problema típico dos casais... do ser-humano
Recentemente,
em uma conversa com um casal amigo, surgiu a questão do porquê dos casais terem
seu jeito particular de ser, de relacionar, tanto no modo como cada casal busca
prazer como pelo modo como são marcados pelo desprazer, brigas e atribulações.
Estas últimas, situações que aos olhos dos outros deveriam ser motivos de
rompimento, término ou mudança. O que vemos na prática é que isso muitas vezes
não muda, não causa um término e que o próprio casal se comporta de modo que o
conflito se mantenha, mesmo sem terem consciência disso.
Como
pode alguém querer viver assim dessa maneira?
A história de
vida de cada um é permeada por vivências, ensinamentos, problemas e traumas que
antes mesmo de nascermos estão prontos a serem passados de nossos ancestrais
para nós. Nossos familiares nos transmitem uma soma de experiências, e essas se
juntam àquelas situações que nós mesmos vamos presenciando desde a infância.
Assim, formamos nossa personalidade e iniciamos certos padrões de
comportamentos, repetições e imaginações que nem sempre nos trazem prazer.
Os
casais se formam exatamente a partir das fantasias e marcas inconscientes que
cada um possui e que em alguma medida se mostram favorecidas e instigadas pela
fantasia do outro. Aqui cabem as expressões populares “um gambá cheira o outro”
e “cada pé com seu chinelo”. Em um casal, os parceiros são os sintomas um do
outro, são a dor e o prazer um do outro. Cada relacionamento satisfaz pontos
particulares inconscientes de cada um, sejam pontos de sofrimento ou de prazer.
Existem motivos fortes e nem sempre tão claros para isso... e nem sempre tão
fáceis de serem abandonados.
Em
relação às situações de sofrimento, somente quando um dos dois do casal decide
não mais ficar tão entregue a esta carga inconsciente de comportamentos e de
mal estar, que uma mudança pode ocorrer. Ou o(a) parceiro(a) revê também a sua
postura, se retifica e se implica numa mudança ou o término provavelmente estará
próximo.
Somos
sim fruto de um meio, de uma criação, de cargas de nossas gerações passadas,
mas diante disso temos nossas escolhas e decisões sobre o que queremos mudar.
Antes mesmo de nascermos uma história já vinha sendo escrita e o que faremos
com isso que nos foi dado é de responsabilidade de cada um. Cada um decide o
que quer manter e repetir em um relacionamento. Ninguém é vítima de uma
situação que se repete em sua própria vida e que conta com sua própria
participação, por mais que muitos insistam em ocupar esse lugar de vítima.
Todo
ser humano traz em si um traço masoquista e extrai prazer do sofrimento. Faça
sua a responsabilidade por isso que em você se repete.
terça-feira, 11 de março de 2014
Sobre cada mulher
Em todo
dia 8 de março é comemorado o dia internacional da mulher. Uma data para
lembrar e marcar as lutas pelos direitos e melhores qualidades de vida das
mulheres. Porém esta data traz um paradoxo, pois ao mesmo tempo em que comemora
e enfatiza o valor das mulheres, contribui para aumentar a discriminação e
preconceito, assim como nas entrelinhas das comemorações em torno do dia dos
negros, do índio, da árvore, das crianças. Todos estes são os mais vitimados,
desrespeitados, subjugados e descartados da sociedade. Há por trás desses dias
comemorativos um reforço da ideia de que são seres inferiores e que precisam de
uma data para amenizar os desrespeitos e agressões que a sociedade lhes impõe a
cada dia. A árvore, o índio, a criança, as mulheres, os negros são realmente
tratados como iguais pelos nobres homens de nossa sociedade? Ao instituirmos e
legitimarmos um dia para lembrarmos das mulheres e de suas lutas ao longo da
história, automaticamente reafirmamos a discriminação sobre elas e a tornarmos
ainda mais objetalizadas.
As mulheres lutam a toda hora. As mulheres
conquistam seu espaço a todo momento. Cada mulher busca vencer os diversos
obstáculos todo dia... e o maior deles é o tornar-se mulher. Portanto, o dia
internacional da mulher deveria ser todo dia. E por ser todo dia o dia das
mulheres, deveríamos acabar com essa história de data determinada, pois uma
mulher não pode ser marcada e reservada a comemorar sua luta somente no dia 8
de março.
A mulher não é um ser que possa ser generalizado e
nem mesmo tratado de forma grupal, como por exemplo: ‘as mulheres’, ou ‘todas
as mulheres’. Mas sim devemos tomar a mulher como única e uma a uma. O psicanalista
francês Jacques Lacan em um de seus seminários chegou a afirmar que “A Mulher
não existe”, ou seja, a mulher com “M” maiúsculo não existe, pois não há algo
que unifique as mulheres em torno de um só significado ou sentido universal.
Freud, ao escrever sobre o enigma da feminilidade, lançou
a pergunta: “O que quer uma mulher?” É possível fazer a pergunta: o que quer
uma mulher? E não pergunta: o que querem as mulheres? Como se fosse possível
tratar a todas como iguais. A resposta à pergunta, o que quer uma mulher, pode
ser respondida somente se cada mulher for tomada uma a uma em sua
particularidade e singularidade, pois cada uma tem seu jeito de ser mulher, o
seu desejo e o seu querer.
Mulher não cabe em nenhuma palavra, não se encaixa
em nenhum significado, uma mulher torna-se a cada dia de forma singular e não se
restringe a uma data no ano.
Para finalizar, trago aqui a afirmação de uma
mulher mineira em sua poesia:
“Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.” Adélia Prado.
Mulher é desdobrável. Eu sou.” Adélia Prado.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Ser professor(a): missão impossível
Em homenagem aos professores, reedito aqui o
artigo que publiquei em 2011. Trata-se de uma reflexão sobre a árdua tarefa de
ser um(a) professor(a).
Freud disse por duas vezes ao longo de sua obra que
uma das profissões impossíveis existentes seria a do educador. Junto desta
profissão, outras duas impossíveis seriam a do psicanalista e a do governante.
O que há em comum em tais profissões que as fazem serem consideradas
impossíveis? Ser professor(a), uma tarefa impossível, visto a
impossibilidade de conseguir fazer alguém entender algo por completo. Ser
psicanalista, um trabalho impossível frente à impossibilidade de fazer alguém
se livrar de sua neurose por completo. Ser governante, uma profissão impossível
diante da difícil tarefa de atender todos os anseios e diferentes desejos da
população.
As escolas e o papel do educador foram ao longo dos
tempos perdendo sua função exclusivamente científica, ou talvez nunca a
exercessem de verdade, porque as famílias aprenderam a deixar nas mãos dos
professores funções muitas vezes não exercidas em casa, ou seja, as de pai e
mãe.
A modernização e a globalização do mundo fizeram os
pais e mães correrem para o trabalho e negligenciarem em grande parte a
condução dos filhos, seja nos estudos, seja nos modos de comportamento, seja no
jeito de respeitar a vida em comunidade e os outros. O que fazer se o trabalho
cada dia mais afasta os pais dos filhos? Muitos dirão: Mande-os para a escola!
Quanto mais tempo por lá ficarem, melhor será. Portanto, para quem fica toda a
carga de responsabilidade? Professor herói! Professora santa!
Mas os(as) professores(as) são tão fortes assim? Não
há dúvidas de que nossos educadores estão sofrendo e adoecendo. Afinal de
contas, pai e mãe muitos já são em casa e ainda têm que ser no local de
trabalho. Os que não são pais e mães na vida real, não possuem obrigação
nenhuma de passarem a ser.
Mas o problema também nasce de outro ponto. O
professor é gente. Sofre, adoece, sente medo, possui fraquezas e sonhos. Porém,
fomos acostumados a enxergar no educador uma figura forte e inabalável. Quando
pequenos, admirávamos sua posição de sabedoria e conhecimento. Quando éramos
adolescentes, desconfiávamos desta autoridade toda e exigíamos que nos dessem
mais responsabilidade e liberdade. Porém quando adultos então “responsáveis” e
“livres”, entregamos novamente a eles as nossas responsabilidades como pais, e
voltamos a depender deles. No entanto não os admiramos mais, e sim os cobramos,
exigimos e reclamamos como se fossem obrigados a cuidar de nossos filhos e de
nós mesmos indiretamente.
O que percebo nessas mães reclamonas e nesses pais
brigões de porta de escola é um pedido de ajuda. Uma forma indireta de dizer
que as coisas não andam nada bem em casa. A culpa diante do problema do filho é
esvaziada ao colocar o problema como consequência da incapacidade do professor
que não foi bom o bastante. Coitado(a) dos(as) professores(as), viraram
psicanalistas também. Só faltam serem governantes. Isso é um trabalho para a
Santa Professorinha ou para o Super-Professor-herói!
domingo, 13 de outubro de 2013
Um ato produz mais efeito do que muitas palavras
"Quando verão que o que prefiro é um discurso sem palavras?"
Jacques Lacan - 1968
Conclusão de 'Alocução sobre as psicoses da criança'. In "Outros Escritos"
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Entrevista ao Jornal Observador para o Dia dos Pais
Pais
protetores
Nenhum
pai deseja perigo para seus filhos. Porém o risco de proteger excessivamente
pode se transformar numa dificuldade para ambos os lados, ocasionando falta de
compreensão e atrapalhando o desenvolvimento das crianças. O OBSERVADOR conversou
com o psicanalista Thales Siqueira de Carvalho
A criança, junto com seu pai, coberta de roupas da
cabeça aos pés, vai fazer uma pequena visita a seus avós. Durante o percurso, a
viagem é paralisada de quinze em quinze minutos, para que o pai verifique se
seu garotinho está limpo, como faz sempre. Chegando à casa dos avós, não
permite que a criança engatinhe no chão. Brincar somente no tapete, também não.
Satisfeito, o pai acha que, cuidando desta maneira,
está fazendo com que seu pimpolho fique longe de todas as ameaças. A verdade é
que, quanto mais zelo tem, mais receio de que o perigo possa acontecer. Dessa
forma, pai e filho vão se acostumando e, sem notar, os responsáveis passam a
proteger demais seus filhos deixando-os isolados. E se seguirem com isso, futuramente,
o seu filho terá de conviver com crianças, mas sem nenhuma preparação para
encarar o mundo.
Entre obrigação natural de dar proteção às crianças
e os exageros da proteção, vários pais têm dificuldades em colocar seus
próprios limites. Aos poucos, o que era comum, como não deixar que a criança
fique brincando na areia do parque onde muitos gatos e cachorros passam, se
torna uma ação radical de nem levar o filho ao chão.
Assim, até chegar à adolescência e mesmo quando
adulto, os pais colocam uma difícil relação com seus filhos, que ocasiona
incompreensão dos dois lados e atrapalha a autoconfiança dos pequenos. “Meus
pais sempre retiraram as dificuldades que poderiam surgir para mim e me
facilitavam as coisas. O interessante é que faziam isto para fazer cobrança
depois. Eu compreendo a intenção deles, que é boa, mas isso atualmente me traz
sequelas horrorosas. Não consigo lutar sozinho pelas coisas e correr atrás das
minhas metas. Fui muito mimado”. Relata um jovem profissional liberal.
Este é um comportamento dos pais que dão muita
proteção aos filhos. O objetivo, como disse o jovem, é ajudar só que, terminam
criando uma relação de dependência e dificuldade para se desenvolver. O
psicanalista Thales Siqueira de Carvalho, é Especialista em Teoria Psicanalítica
e Mestre em Investigações Clínicas Psicanalíticas. Há 8 anos atende em seu
consultório em Pedro Leopoldo-MG e Belo Horizonte-MG. Ele comenta a realidade
de superproteção que se referiu o jovem: “Na verdade, a superproteção de um pai ou de
uma mãe revela a insegurança dos pais e não do filho. Quando um comportamento
ou estilo de vida é perpetuado pelas gerações, os filhos tendem a repetir os
pais no futuro. No caso, provavelmente, esse jeito do pai para com o filho têm
suas raízes na maneira como este pai foi criado em sua infância. Não é por
acaso que se comporta assim com o filho e os motivos disso podem ser tratados
em análise, para que um destino menos angustiante seja dado a esse conflito”.
Muitos pais abdicam totalmente da proteção. Esta
seria uma boa conduta para deixar que a criança caminhe com suas próprias
pernas? Thales responde: “proteção demais ou a ausência total dela dá na mesma, ou
seja, em ambas as situações o filho crescerá de forma insegura e sem conseguir
lidar sozinho com os desafios da vida. É fundamental que o filho sinta que pode
contar com os pais, mas um poder contar quando precisar e não o tempo todo e de
forma esmagadora. Exercer a função paterna é muitas vezes fazer uma presença
pontual e não sufocante. É preciso saber que há um tempo para o filho deixar
aberturas para que os pais entrem, pois também vai querer se virar sozinho em
determinados momentos”.
O que se observa é que
em diversos momentos, é mais fácil interferir para solucionar um problema do
que deixar que o filho o avalie e mostre suas condições de resolvê-lo. Como
esta atitude pode interferir na formação da personalidade da criança? “a personalidade se forma ao longo dos
primeiros anos de vida, e uma criança crescer em um meio em que os pais resolvam
tudo por ela acaba gerando um funcionamento psíquico de dependência extrema, de
modo que a criança, no futuro vá repetir ocasiões em que isso novamente venha à
tona, ou seja, provavelmente vai buscar se colocar em situações em que precise
sempre de alguém para resolver as coisas por ela, seja no trabalho, escola e
relacionamentos amorosos. Nós passamos a vida repetindo inconscientemente uma
tentativa de revivermos aquelas relações afetivas infantis para com os pais,
mesmo que desprazerosas e causadoras de angústia”.
É fundamental para os pais descobrir que a forma de
levar a vida é baseada no equilíbrio entre colocar as mãos e regressar, para
deixar que as crianças conduzam realmente as suas vidas. Sem isto, não terá
valor a importância de decidir, de reconhecer suas possibilidades e também seus
limites. Ajudar os filhos a crescer: esta é uma prova de amor realmente. Thales
ainda complementa: “É preciso alguém para realizar a função
paterna, não o tempo todo, mas de forma consistente no tempo que for preciso. Ser
pai e mãe é inclusive saber se fazer faltar para o filho. Pois é a partir da
falta que um filho se movimenta e cresce, mas isso não pode ser uma falta
completa, pois aí teríamos a devastação”.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
A tal “alma gêmea” existe?
De onde
vem essa expressão?
Vem da mitologia grega tentando
explicar o porquê de sermos seres entregues à paixão. E especificamente na obra
“O Banquete” de Platão, encontramos um discurso sobre o nascimento da ideia de
alma gêmea. Trata-se de um castigo dos Deuses que ao perceberem os humanos
completos em si mesmos, autossuficientes afetivamente por serem andrógenos
(homem e mulher no mesmo corpo), promoveram uma cisão/separação ao meio,
condenando a raça humana a procurar eternamente essa outra metade separada.
Carregamos esse ímpeto de busca pela
alma gêmea, pela cara-metade perdida, e que acreditamos nos completar.
Só vivemos dignamente quando temos paixão, desejo e
graça com a vida. É fundamental amar para que possamos suportar as árduas
situações que a vida nos impõe no cotidiano. Porém, em um relacionamento,
quando depositamos ali toda a felicidade de forma idealizada, de certa forma,
depositamos o destino de nosso futuro nas mãos de um Outro, que por ser também um
imperfeito humano, está passível de fracasso e desacerto. Isto é, nosso tão
sonhado futuro ideal nunca será alcançado.
Relacionar e viver a dois deve ser algo que
preserve espaço para a falta e para a renovação, caso contrário a decepção pode
ser esmagadora e paralisante. Para haver desejo é preciso haver falta. O
próprio nome já diz: “viver a dois” e não “viver a um”, em função de um, já que
um afeto quando é unilateral só provoca alienação. Amar é trocar sentimentos,
pois, mesmo que sejam desproporcionais e desiguais é possível haver afinidades.
É na diferença que um casal se mantém, afinal de contas, amar alguém e ser
amado por este alguém é sempre um encontro desencontrado ou desencontro
encontrado.
A “alma gêmea”, de gêmea ela não tem quase nada,
mas o pouco que tem já basta para iniciar um laço... e não um nó.
"Amar é dar o que não se tem" Jacques Lacan
Aproveitando a proximidade com o Dia dos Namorados, comemorado pelos brasileiros no dia 12 de junho, o ParPerfeito(www.parperfeito.com.br), maior site de relacionamento do Brasil, realizou uma pesquisa com 2.500 usuários para descobrir quais atitudes podem determinar o fim de um relacionamento. E, por incrível que pareça, a falta de romantismo foi determinante para que 40% dos homens entrevistados colocassem um ponto final em alguma relação que já tiveram. Parece que eles estão mais românticos do que imaginávamos. No ranking geral, os maus hábitos, como fumar e beber, aparecem em segundo lugar com 23% dos votos. O interesse por outra pessoa vem logo em seguida, com 19% das escolhas.
Ao questionar as mulheres sobre o mesmo assunto, a pesquisa do ParPerfeito mostrou que elas têm a mesma opinião que o público masculino. Para a mulherada a falta de romantismo também vem em primeiro lugar, com 50% dos votos, maus hábitos em segundo, com 31% das escolhas, e interesse em outra pessoa em terceiro, com 13% das respostas. Confira abaixo o resultado completo da pesquisa.
HOMENS
O que já te fez terminar um relacionamento sério?
Falta de romantismo 40%
Maus hábitos (beber, fumar, entre outros) 23%
Interesse por outra pessoa 19%
Não se dar bem com a família do parceiro 17%
Ganhar um presente ruim 1%
Fonte: ParPerfeito - Maio/2013
MULHERES
O que já te fez terminar um relacionamento?
Falta de romantismo 50%
Maus hábitos (beber, fumar, entre outros) 31%
Interesse por outra pessoa 13%
Não se dar bem com a família do parceiro 6%
Fonte: ParPerfeito - Maio/2013
Ao questionar as mulheres sobre o mesmo assunto, a pesquisa do ParPerfeito mostrou que elas têm a mesma opinião que o público masculino. Para a mulherada a falta de romantismo também vem em primeiro lugar, com 50% dos votos, maus hábitos em segundo, com 31% das escolhas, e interesse em outra pessoa em terceiro, com 13% das respostas. Confira abaixo o resultado completo da pesquisa.
HOMENS
O que já te fez terminar um relacionamento sério?
Falta de romantismo 40%
Maus hábitos (beber, fumar, entre outros) 23%
Interesse por outra pessoa 19%
Não se dar bem com a família do parceiro 17%
Ganhar um presente ruim 1%
Fonte: ParPerfeito - Maio/2013
MULHERES
O que já te fez terminar um relacionamento?
Falta de romantismo 50%
Maus hábitos (beber, fumar, entre outros) 31%
Interesse por outra pessoa 13%
Não se dar bem com a família do parceiro 6%
Fonte: ParPerfeito - Maio/2013
Li a pesquisa e pude concluir que trata-se de uma queixa corriqueira da vida cotidiana. Ou seja, estamos diante da insatisfação que o ser humano tem com qualquer um que seja o seu parceiro amoroso.
Idealizamos demais o outro e queremos que ele nos supra de todas as formas. Essa é uma tentativa frustrada, pois ao depositarmos a ilusão de completude no outro estamos fadado ao desapontamento.
Quando gostamos de alguém depositamos todo nosso narcisismo insatisfeito nessa pessoa, e demandamos que essa pessoa preencha nossos furos e faltas.
Amar não é viver completo, mas saber viver com a falta, já que ninguém irá nos tirar desse desamparo estrutural que temos e que nunca curaremos. Podemos sim aprender a viver com esse desamparo eterno, sem que isso seja um problema, mas tornando-se uma causa de vida e de amor. Porém, um amor que respeite as diferenças e desacertos, já que conforme Jacques Lacan "amar é dar o que não se tem".
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Uma conclusão sobre a causa do terrorismo
O terrorismo vem se mostrando cada dia
mais presente em nossa sociedade. Em diversos graus e de diversas formas,
atentados consumados e ameaças violentas estão cada vez mais banalizadas em nosso
cotidiano. Recentemente fomos surpreendidos com mais um ato terrorista nos EUA,
especificamente na maratona de Boston. Os responsabilizados pelo ato são dois
irmãos de 19 e 26 anos, religiosos islâmicos radicais que defendiam a luta pela
independência da Chechênia, república que hoje faz parte da Federação Russa.
Não somente neste caso específico, mas
em qualquer ato que esteja motivado por religião, causa política ou étnica, tem
como pano de fundo um narcisismo doentio, que fazem os indivíduos terroristas considerarem
qualquer diferença ou alteridade como algo insuportável e digno de ser
eliminado. A causa do terrorismo é um narcisismo desmedido e sem limite!
Provavelmente os irmãos chechenos
estariam em uma identificação narcísica sob um ideal acreditado como inabalável
e acima de qualquer impedimento. Fato que pode os ter feito tomar a atitude
radical do atentado, em nome de um objetivo idealizado, inquestionável e
supremo.
Os seres humanos, quando identificados
com um objetivo comum, são capazes de realizar atos extremos em nome de uma
identidade grupal, ideal político ou por conta de uma alienação à figura de um
líder. Toda manifestação agressiva contra algum grupo, população ou pessoa
específica, passa por uma causa imaginária em torno de alguma idealização
narcísica, que, por algum motivo, ficou abalada ou ameaçada. A violência é uma
reação defensiva para que o buraco no narcisismo daquele que se sentiu ferido seja
remediado. Um exemplo clássico e trágico disso foi o nazismo, que, a propósito, tem homofonia com a palavra narcisismo.
Temos um imenso desafio atualmente: pedem-nos
paz e respeito ao próximo, mas estamos cada vez mais narcísicos e menos tolerantes com a diferença. Todos
nós, de alguma forma, violentamos o outro que é diferente de nós, sejam com
palavras ou atos. Quem nunca se sentiu incomodado diante daquele que lhe é diferente
e assim reagiu com algum comentário ou um mínimo pensamento discriminador? O
problema é que a intolerância de muitos acaba gerando reações extremas e
doentias, que saem do nível do pensamento e chegam ao nível do ato. Portanto, qual
será o nosso destino? Seremos um bando de narcísicos terroristas, cada um na
sua bolha, destruindo uns aos outros em nome daquele ideal que acreditamos ser
melhor que o do vizinho?
Há uma grande diferença entre um
comentário e uma reação violenta, assim como há diferença entre sentir repulsa
e passar ao ato. Porém todos nós somos narcísicos, cada um na sua medida, e não
suportamos aquele que não nos é semelhante. Já dizia Caetano Veloso na música 'Sampa': “quando eu te encontrei frente a
frente não vi o meu rosto. Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau
gosto. É que Narciso acha feio o que não é espelho”.
Fobia
Um dos grandes sintomas psíquicos que
encontramos nos seres humanos é a tão famosa “fobia”, seja ela de qual objeto
ou coisa for. Os fóbicos sofrem muito com isso, e sem mesmo terem consciência
do porquê de tal comportamento, sentem a pressão e o peso da fobia como algo
devastador. Não se trata de um medo simples, mas algo intenso e sem controle.
Diferentemente do medo simples (que é vital e funcional para nossa vida, fazendo
protegermo-nos e evitarmos problemas), a fobia traz muitas limitações e danos
sociais para aquele que a sente.
Mas o que é uma fobia? Por que alguém
chega a se comportar assim? De onde vem esse horror intenso diante de alguma
coisa, a princípio tão simples? Impossível conversarmos sobre isso em apenas um
artigo, mas podemos fazer aqui uma reflexão importante.
Não há como
falarmos da fobia se não colocarmos em pauta a questão do inconsciente e da
presença de um sistema inconsciente funcionando em nós, alheio à nossa vontade
consciente. Um inconsciente que dita a nossa forma de comportamento no mundo,
independente da nossa parte racional.
A fobia, seja ela um medo intenso de
algum animal, fato, situação ou até mesmo a fobia social, têm suas raízes em
questões inconscientes mal elaboradas e que solicitam expressão e descarga
pulsional, mesmo que por vias tortas e drásticas como nessas manifestações de
medo intenso e horror.
O medo extremo, o horror incontrolável
diante de alguma coisa pode ser a descarga indireta de um conflito inconsciente
que provavelmente venha de uma experiência que gerou grande carga psíquica.
Temos nossas defesas, nossas saídas,
nossas válvulas de escape... Enfim, nossos sintomas pelos quais a pulsão
encontra formas de descarga. Sintomas forjados inconscientemente, e que exigem
de nós, muita energia e desgaste para serem contornados, assim como no momento
de tratá-los. Ou seja, esvaziar uma fobia, exige empenho e paciência, pois não
se vai à raiz inconsciente de um problema de maneira rápida e nem mesmo em um
clique, da forma como estamos acostumados a fazer com tudo nessa vida
hipermoderna que levamos.
Quando se trata de um ser humano, o
tempo é outro!
Quando se trata de inconsciente, a
lógica é outra!
quarta-feira, 27 de março de 2013
Desejo decidido
Há uma grande diferença entre desejar e
ter um desejo decidido. Podemos passar uma vida inteira sonhando com as coisas
que gostaríamos de realizar e assim vivermos na via do desejo insatisfeito ou
impossível de concretizar. Isso é o pior!
O ser humano
comete um grande erro ao manter o seu desejo como algo distante e inatingível,
muito em função da ocupação com a realização do desejo dos outros. Há certa
satisfação na dor da não conquista, do insucesso, e assim, muitos ficam parados
nesse “eu desejo” e não se movimentam no “eu realizo”. Tem sempre algum ponto
condensado ou alguma coisa pela qual nós nos deixamos ficar apenas no estado do
“desejar”. É como se a cada corrida ficássemos na linha de largada imaginando o
quanto seria bom o percurso até a linha de chegada. Chegar é preciso, e a graça
da vida não está somente na chegada, mas no percurso que traçamos até lá. João Guimarães
Rosa em “Grande Sertão: Veredas” já nos alertou: “O real não está na saída nem
na chegada, ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”.
O desejo decidido é aquele que
realizamos sem medo e sem necessidade de garantias e certezas. Realizamos
porque queremos. É o que nos tira da inércia da insatisfação e nos coloca a dar
um passo a mais na vida... fazer girar o moinho que vivia estagnado na ideia de
quem sabe um dia algo fosse fazê-lo girar.
Desejar é fundamental para seguirmos com
a vida adiante, mas ficar no desejo em estado imaginário, sem concluí-lo, é um
engano. Cada um tem seu tempo e seu modo de lidar com o desejo, um tempo
particular pelo qual não podemos nos deixar levar sem uma responsabilização,
afinal de contas, este tempo da decisão é cada um quem o faz, produzindo o
efeito de solavanco que nos tira da angústia da estagnação. É o solavanco que
somente cada um pode operar em sua vida, de modo que a decisão de hoje promova
aberturas para novas decisões futuras.
Se há algo que o desejo nos ensina é que
por ele não se pode passar sem a coragem de realizá-lo. É preciso rigor para
fazer, do desejo, algo decidido. Um rigor de conclusão, ou então ficamos na
imaginação estéril e paralisante. Aqui mora a diferença radical entre o desejar
infinito e o desejo concluído.
No próximo artigo falarei sobre “fobia”.
Até lá!
quarta-feira, 6 de março de 2013
Religião ou ciência? Por onde seguir?
A renúncia do Papa no Vaticano trouxe
uma série de dúvidas e discussões em torno da questão da religião e do papel
dela no cotidiano das pessoas. As consequências de cada fato dependem de como o
encaramos. O Papa renunciar, para uns é o fim, é a perda da direção, um motivo
de desespero. Já para outros, pode ser um recomeço, uma renovação, uma nova etapa,
assim como cada coisa da vida que nos exige adaptação e movimento.
Por mais que o Papa tenha alegado
problemas de saúde, justificando assim sua renúncia, acredito que os motivos
foram outros. Há uma grande diferença entre o catolicismo e o Vaticano como
estado de poder financeiro. Não foi o primeiro Papa a renunciar... e a história
mostra que aqueles que tentaram conter o espírito financista e mercantil dos
mandantes do Vaticano acabaram sofrendo consequências cruéis. O poder do
Vaticano não perdoa ninguém, nem mesmo os Papas, e sábios foram aqueles que
souberam se retirar no momento certo.
Mas, enfim... voltemos ao que nos
interessa aqui hoje!
Vivemos em um
tempo em que a religião perdeu espaço para a ciência. Os fatos e vivências que
antes eram justificados pelas diversas religiões, hoje são explicados
minunciosamente pela ciência. Grande parte da fé e crença que as pessoas tinham
nos papas, pastores e líderes espirituais, agora se encontra sob as conclusões das
pesquisas científicas. O discurso
científico tem arrebanhado fiéis de todos os tipos e classes, tornando-se
assim, a meu ver, a grande religião de nossa época. Estamos crentes na ciência
e é ela quem nos dita quais caminhos seguir.
Independente das respostas que cada uma
nos fornece, seja a religião ou a ciência, em nossa época as pessoas estão
vazias de ideais e sem direção de vida. Por isso, cada resposta científica e cada
mandamento religioso são levados a ferro e fogo como a única coisa a ser
seguida. É preciso relativizar o que o Outro nos manda seguir e ser. Esse
grande Outro com “O” maiúsculo, ditando suas regras, se não questionado ou
esvaziado, pode acabar se tornando um problema, ao invés de ajuda na busca de
solução.
Há quem consiga conciliar ciência e
religião, mas há também quem fique cego pela ciência ou pela religião. Fato é
que tudo nessa vida exige uma dose de crença. Cada consulta médica, cada projeto
de vida, cada sonho a ser realizado, cada orientação dada pelo padre, pastor,
mestre, professor ou cada receita médica, precisa de nossa crença, ou então
nenhum efeito terá sobre nós. Por outro lado, nossa vida se torna alienada
quando somente acreditamos e não realizamos, ou também quando esperamos que o
Outro realize por nós sem nos implicarmos em uma busca própria. Estamos
acostumados a deixar nosso destino na mão deste grande Outro, e exigimos que
ele não falhe.
Religião ou ciência? Qual delas seguir? Siga
naquilo que te faz bem e torne-se o construtor de seu próprio destino! Mas
relativize e questione o que está escrito aqui, para que isso não se torne
também um grande Outro.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Descontrole pulsional no carnaval
Para vivermos em sociedade, respeitando
uns aos outros, são necessários que façamos alguns sacrifícios. Além disso, somos
pressionados a abrir mão de satisfazermos vontades em função dos outros e da
comunidade. Nossa civilização é baseada na ideia de que para convivermos uns
com os outros em harmonia é fundamental que cada um reprima seus impulsos e
desejos que se mostram incompatíveis com a moral. Porém, esses impulsos, que na
psicanálise recebem o nome de pulsão de vida e pulsão de morte, nunca serão
totalmente domados ou civilizados, restando sempre uma parcela insatisfeita
exigindo ser descarregada, e que nem mesmo toda a moral reguladora é capaz de
conter.
Sofremos com o fato de não podermos
realizar toda a pulsão, porque ela é por si só irrealizável por completo, e
também porque não podemos fazer tudo que queremos da forma como queremos sem
levar em conta o direito dos outros. Mas o que fazer com toda essa energia
insatisfeita? Muitos descarregam nas artes, nos esportes, no trabalho... formas
substitutas de satisfazermos nossa pulsão, mesmo que de forma indireta e
sublimada.
Por outro lado, muitos se aproveitam do
carnaval para dar escoamento a essa contenção pulsional acumulada ao longo da
vida cotidiana. Assim, o carnaval acaba se tornando um período em que as
pessoas aproveitam para realizar coisas que no dia a dia comum não podem ou não
têm coragem de fazer. Há uma espécie de aceitação de que a vida é árdua demais,
e que, no carnaval, temos uma liberdade momentânea para esquecermos a
civilização e realizarmos todos os desejos reprimidos: beber demais, comer além
da conta, realizar desejos sexuais, cometer atos transgressores, bater, matar
e, em alguns casos até morrer, já que a pulsão de morte também pede seu espaço,
e em pequenos atos vai dando mostras de seu potencial.
Em 1930, Freud,
em seu texto “O Mal-estar na civilização”, nos alerta para um impasse, um
mal-estar que vem do fato de um lado termos as pulsões internas exigindo
satisfação e de outro a civilização nos impondo regras e impedimentos. A
pulsão, quando negligenciada, retorna de forma mais contundente, mas o que
fazer se ao mesmo tempo não podemos fazer tudo que queremos?
Cada um descobrirá sua forma de lidar
com suas pulsões, de modo que não fiquem tão acumuladas e não caminhem para atos
exagerados. Os pequenos prazeres de cada dia e as pequenas satisfações
substitutas podem amenizar este mal estar da insatisfação. Nunca estaremos
satisfeitos por completo e sempre carregaremos o sentimento de não-estar-bem na
vida civilizada, porém, pequenas permissões de prazeres podem nos poupar de
grandes tragédias. É preciso que cada um construa um saber fazer com a própria
pulsão.
O carnaval tem se tornado um período de
grande descarga pulsional, entretanto, isso não garante que a pessoa vá se
sentir livre da pressão da pulsão e da moral civilizada. A pulsão será sempre
insatisfeita, e moral sempre implacável. Aqui reside a diferença entre pessoas
que fazem dessa insatisfação uma causa de novas buscas e novos prazeres, e
aquelas outras que no carnaval chegam com o lema “Prazer a qualquer custo!” ou
“É matar ou morrer!”.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Volta às aulas e as dificuldades de aprendizagem
Com a volta das aulas, voltam também as
dúvidas de pais e professores quanto ao aproveitamento escolar de certos
filhos/alunos.
O aprendizado de
um aluno, quando insatisfatório, pode estar sofrendo influência de uma série de
fatores que o rodeiam. Porém é exigido que o aluno dê conta dos trabalhos, dos
deveres, das provas e das matérias, independente do que esteja acontecendo na
sua vida particular, afetiva, social, e até mesmo independente do que esteja
sofrendo no seu organismo. Ou seja, pouco importa seu estado psicológico e
fisiológico, é necessário cumprir um cronograma e gerar resultados positivos;
exigência que não deixa de trazer problemas também para os(as) professores(as).
Mas essa exigência de saber acaba criando uma série de rótulos e diagnósticos
nas crianças e adolescentes que, por algum motivo, não aprendem ou não se
comportam da maneira como a escola gostaria.
Recentemente o Conselho Federal de
Psicologia lançou a campanha de combate à medicalização da vida com o seguinte
lema: “Se você acha que seu filho é muito
arteiro, fique calmo! Ele está apenas sendo criança! Não ao uso indiscriminado
de remédios nas escolas.” Essa campanha nos alerta para o fato de que na
maioria dos casos não há nada de errado no cérebro da criança, mas sim que ele
está apenas vivendo sua infância, ou então, que está passando por conflitos de
ordem emocional na dinâmica familiar e que ele precisa extravasar.
O que esperar de uma criança que está
passando por problemas pessoais? É normal ela ficar agressiva ou inibida na
escola, pois talvez seja o único lugar em que ela possa se expressar. Seria
mais adequado deixarmos de lado os diagnósticos de hiperatividade, ansiedade ou
distúrbio de conduta para entendermos os fatores que estão impedindo o aluno de
aprender. Parece que esquecemos que um aluno é gente, e como tal, sofre, tem
medos, fica triste, adoece, sente reações no corpo, possui desejos e sonhos
muitas vezes frustrados e incompatíveis com sua realidade.
Sim, é impossível a escola atender e
entender cada aluno em sua particularidade, já que existem os conteúdos
programáticos a serem cumpridos. Mas será mesmo que aprender significa somente
cumprir com eficiência um cronograma? O que mais temos a oferecer aos nossos
alunos, além de testes, notas e diagnósticos? Adoramos comparar e classificar
os alunos, porque isso nos exime da responsabilidade sobre eles enquanto pais,
professores e profissionais da saúde. O problema fica todo nas costas do aluno,
pois se ele é agressivo, hiperativo ou desobediente não adianta fazer nada, é
uma doença, um mal que ele carrega, e a culpa é somente dele.
É mais fácil rotular os alunos com uns
diagnósticos do que nos perguntarmos em que medida nós os fazemos assim.
Somente se fizermos a pergunta sobre o nosso papel nesse imenso número de
alunos com ‘dificuldade de aprendizagem’ que poderemos, num segundo momento,
convidar o aluno a se responsabilizar pelo conflito que está passando, e
implicá-lo no seu próprio problema, ensinando-o a tomar as rédeas de sua
própria vida e dar um destino diferente para aquilo que fizeram dele.
domingo, 16 de dezembro de 2012
Por que tantos estão abusando das drogas?
É
importante observarmos o aumento considerável do número de casos de dependência
química nos últimos anos. Apesar de ainda existirem os usos recreativos, os usos
festivos, estamos vivenciando muito mais casos de dependência doentia ou abuso
das substâncias. A que se deve este aumento de pessoas que abusam ou sentem-se
viciadas nas diversas substâncias entorpecentes?
Existem os fatores psicológicos que
preparam o terreno para a pessoa ficar viciada e existe também a influência da
química no corpo, mas diante dessa pergunta sobre os motivos do aumento dos
casos, não há como deixarmos de lado os fatores “hipermodernidade” e
“consumismo”, como dois dos responsáveis por esse crescimento do uso de drogas
entre as pessoas. Ou seja, além do fator particular de cada um, há a
configuração social de nossa era hipermoderna, que nos leva a alcançar prazeres
de forma muito rápida e sem limites, onde entramos como consumistas sem freio. Um
grande ciclo de consumo hipermoderno faz nosso aparelho psíquico funcionar como
uma máquina de gozo. Uma máquina que busca a satisfação a qualquer preço, e
isso desde a infância. Porém, não somos capazes de atingir a satisfação
imaginada, e então, recorreremos a outros modos de prazer. E é por aqui que a
droga, muitas vezes, entra na vida do sujeito. Isto é, uma tampa para o buraco
que a insatisfação pelo fato de não consumir, não adquirir, não ter, não sentir
prazer deixa na pessoa.
A
hipermodernidade consumista nos programa/manipula para querermos sempre mais e
mais. Isso é um objetivo impossível! Quando frustramo-nos com a queda dessa
ilusão que a sociedade nos vende, a droga torna-se um caminho fácil e intenso
para ofuscar o sofrimento que cada um passa a sentir internamente. Uns chamam
de angústia, outros de depressão, outros de tédio ou desânimo. São nomes
diferentes para o vazio que a hipermodernidade nos traz.
Não somos vítimas por completo, pois há
ainda a possibilidade de escolha por uma vida em que se considere o “não ter”,
o “não poder”, o “não possuir”, o “não precisar”. Enfim, uma vida baseada no
real do limite, e não na ilusão do “posso tudo a qualquer preço”. Aquele que se
ilude neste ideal hipermoderno de felicidade sem fim, tem um passo em direção
ao abismo do tédio que leva ao abuso de drogas, pois vai querer sentir prazer
sempre. Prazer que a droga concede na mesma rapidez com que passa seu efeito.
Ora, é exatamente a mesma lógica dos aparelhos e tecnologias das quais nos
tornamos também dependentes. Prazeres rápidos, mas nunca duradouros. Isso nos
leva a concluir que o vício não é somente por drogas, mas por qualquer coisa
que nos traga sensação enganosa de prazer supremo.
O aumento dos casos de dependências e
vícios não acontece sem a influência da lógica hipermoderna, que tem nos conduzido
ao engano de que podemos ser felizes de forma absoluta e sem limites, mas,
mesmo assim, é a pessoa que escolhe por quais caminhos buscará seus prazeres.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
O que aprendemos com a criança?
Se há algo que nos desafia, este algo se
chama “criança”. Se há algo que é mais precioso para uma criança, este algo é
sua infância. Etapa da vida, onde a estrutura de personalidade se forma, e que
para sempre exercerá influência no modo como a pessoa conduzirá seu jeito de
ser. A palavra “infância” vem do
latim “infans”, que significa “aquele que não fala”. Porém, esse
significado não se faz muito pertinente, já que, as crianças falam, mesmo que
sem palavras, e, mais ainda, elas nos dizem muitas coisas pela via dos seus
comportamentos e reações.
Nas famílias,
nas escolas, nos meios em que a criança vive e cresce, existem vários fatores
afetivos que exercem influência nos funcionamentos psíquico e corporal. Alguns
sintomas, alguns comportamentos, podem ser frutos de desajustes emocionais que
a criança sofre ou sofreu. Diversos são os casos em que determinada criança
apresenta uma dor de cabeça, uma gastrite, insônia, atos agressivos,
isolamento, apatia e dificuldade de aprendizagem, tudo isso como consequência
de alguma experiência sofrida por ela e que ficou mal elaborada em sua mente. Raras
são as situações em que uma dificuldade da criança se deve a um distúrbio
cerebral por si só. Virou moda medicar todo tipo de reação das crianças. Devemos
ter calma com isso, pois, se seu filho é bagunceiro, arteiro, levado, isso não
é sinal de doença, é sinal de saúde, de vida. Talvez o problema esteja em você
que quer calá-lo às custas de remédios psiquiátricos e neurológicos. Talvez quem
precise de tratamento sejam os pais. Talvez o que precisa mudar é a vida que os
pais levam.
O modo como nosso corpo funciona está
intimamente ligado ao modo como experimentamos os fatos da vida. Ou seja, mente
e corpo não são coisas separadas, mas andam juntas e em constante interação,
seja apresentando saúde ou apresentando transtornos. Existem vários modos de se
falar o que se está sentindo, mas nem sempre isso fica muito claro, nem mesmo
para quem está tentando dizer. O que nossas crianças vêm apresentando, seja na
família ou na escola, é uma forma delas dizerem que algo não vai bem, e que,
por isso mesmo, elas consequentemente, não conseguem desenvolver alguma tarefa
da forma como se espera. É assim também conosco, adultos. Isto é, reagimos ao
que vivemos, ao que experimentamos no presente, ao que experimentamos no
passado e ao que esperamos do futuro.
Fiquemos
atentos aos dizeres que a criança traz, muitas vezes através dos atos, pois nem
tudo será passível de expressão por meio das palavras. E não esqueçamos que, medicar
a infância de uma criança fará dela um ser adoecido, sem que ela
necessariamente seja um doente, sem que ela necessariamente precise de Ritalina
ou Diazepam. Na maioria dos casos, tentar compreendê-la e escutá-la pode ser um
caminho mais digno!
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
A falência da função paterna
Onde está o pai? Esta é uma pergunta que
muitos se fazem, não somente com relação aos problemas que as crianças e
adolescentes nos apresentam, mas é uma pergunta que fazemos também diante do
modo como a época atual funciona. Tudo parece não ter lei, não ter limites, não
ter os “nãos” necessários de cada dia. Tudo parece não ter a presença da
regulação, da moral, do corte no excesso, da contenção, coisas que no fundo,
são reflexos do que a psicanálise entende por “função paterna”.
Muito além do que é um pai biológico, a
função paterna é algo que exerce influencia direta no modo como uma pessoa, uma
empresa, uma escola ou uma família funcionam. É a função paterna que organiza,
concede limite, promove o corte nos excessos, direciona e estabiliza. Tal
função não é exclusiva do pai biológico, pois muitas mães, ou outras pessoas,
exercem essa função na família, no trabalho e na escola. Não basta ter pai, é
preciso existir a função paterna. E isso faz toda diferença no crescimento de uma
criança.
Estamos todos órfãos de função paterna. Sem
as contenções do pai, nós seremos apenas meros consumidores desorientados. Não
é por acaso que hoje percebemos o grande crescimento dos usos de drogas e dos
atos agressivos, pois falta o corte que promove o apaziguamento. Mas como
conter os excessos mortíferos, se queremos sempre mais, não importam as
consequências? Como fazer uma criança aprender a lidar com a falta se a
sociedade vende a ideia de que se pode ter tudo? Como crescer com direção, se
as propagandas afirmam não haver limites para a felicidade? Como entender um
‘não’ se atualmente dá-se um jeito para sempre haver o ‘sim’?
Nós matamos o pai, e agora colhemos as
consequências disso: estamos mesmo que mais informados, menos profundos, mais instáveis,
menos ideológicos, mais alienados às modas, mais influenciáveis e, consequentemente,
menos estruturados
terça-feira, 10 de julho de 2012
Em repúdio ao Ato Médico!
Mais uma vez a Psicologia se posiciona, juntamente com todas as outras classes de profissionais de saúde, contra o Projeto de Lei que pretende colocar a figura do médico como o monopolizador da promoção e recuperação da saúde.
O projeto do Ato Médico visa, de forma hipócrita, determinar que todos os atendimentos de outros profissionais de saúde (enfermeiro, psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, farmacêutico, e etc.) estejam submetidos às ordens da medicina.
Caso isso aconteça, nosso sistema de saúde (particular e público) andará para trás e o pior prejudicado será o paciente.
A medicina, da forma como se propõe neste Ato Médico, quer mais lucros e menos cuidado com o paciente!
O projeto do Ato Médico visa, de forma hipócrita, determinar que todos os atendimentos de outros profissionais de saúde (enfermeiro, psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, farmacêutico, e etc.) estejam submetidos às ordens da medicina.
Caso isso aconteça, nosso sistema de saúde (particular e público) andará para trás e o pior prejudicado será o paciente.
A medicina, da forma como se propõe neste Ato Médico, quer mais lucros e menos cuidado com o paciente!
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Consumismo, drogas e felicidade: problemas da hipermodernidade

Dentro dessa cena consumista de nossa
hipermodernidade, o uso de drogas tem ocupado um lugar de destaque. É notável o
aumento dos casos de abuso de entorpecentes e de álcool. Assim, o usuário de
drogas vem se mostrando como o consumista perfeito. Ele é o exemplo claro do efeito
da doença do consumismo, pois está sempre querendo mais e mais. Qual a causa
disso? Há diversos fatores, mas podemos exaltar uma causa em particular: a predisposição
humana à dependência somada ao estilo de vida atual.
Predisposição humana à dependência? Isso
mesmo! Freud, em uma carta ao seu amigo Fliess, em 1897, diz ter descoberto que
a dependência é uma forte tendência de nosso aparelho psíquico. Isso é algo que
está presente em todos. Estamos sempre lutando contra o impulso de ficar
dependente de alguma coisa, alguma prática, algum objeto, pois, tentamos tirar
prazer de coisas que nos remetam inconscientemente às primeiras sensações de
nossa vida, gravadas na mente como sendo as mais intensas. A hipermodernidade,
diferente de outros tempos, favorece este tipo de comportamento, já que, atualmente,
vale qualquer coisa para nos livrar das preocupações e problemas. Qualquer
coisa que nos faça tentar voltar ao prazer dos primeiros meses de vida. Tudo
que nos deixe fechados em nós mesmos, num narcisismo profundo. Podem ser os
i-pads, carros, roupas, smartphones, remédios antidepressivos, cirurgias
estéticas excessivas, as drogas e o álcool. São os substitutos do seio da mãe,
são as chupetas da gente grande. Objetos do consumo que oferecem a ilusão de
satisfação plena, e dos quais estamos cada vez mais dependentes.
Queremos
felicidade, não importam os meios. Fazemos e acontecemos para ter satisfação.
Ora, essa inconsequência em busca do prazer não é exatamente o que o dependente
químico faz? Então, será que estamos todos viciados em alguma coisa, e o uso de
drogas é apenas o exemplo mais radical dessa doença social? Se para a
hipermodernidade, ser feliz é ter satisfação completa, então somos todos
infelizes, pois essa ideia é impossível. Essa é a ilusão do toxicômano com sua
droga. Essa é a ilusão da sociedade do consumo como um todo. O problema é que
quanto maior for essa ilusão, maior será o tombo!
Na busca de uma felicidade suprema, as
pessoas estão se matando. Ao invés de um sonho gostoso, a felicidade passou a
ser um problema. É preciso que cada um encontre sua maneira particular de ser
feliz, lidando com as infelicidades reais da vida e com as insatisfações. Isso
não precisa ser algo de megaproporção ou de última geração!
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